Eu diria que a pior parte da noite; Esperava-se já por mais uma noite mal dormida, mais uma noite inexpressiva e apática - digamos assim, era rotina. "Quanto menor a expectativa, menor o tombo". Um tanto secular, pragmático. Mas tinha resultado - assim como matemática ou lógica, eu cairia, sim, mas não me assustaria, afinal, o final eu já saberia. A noite era minha amiga, companheira, segurava meus prantos e ao mesmo tempo dava espaço a um novo dia. No entanto, a vida é totalmente inconstante, e viver sabendo como vai ser o amanhã é um tanto metódico, não? A noite, meu passatempo, havia de "puxar meu tapete", havia de me mostrar o quão errado estava.
Olhar o relógio - ou melhor, contar os segundos a partir do movimento do constante dos ponteiros - esfriava meu café e me distraía. Terceiro ou quarto dia de alguns muitos meses. Monotonia. Uniformidade. Tristeza não estava nos meus planos. Minha imaginação era curta nesses momentos, o insulamento a contraia. A melancolia bateu minha porta e eu ainda lhe dei todo o conforto qual necessitava - uma mente vazia em uma noite solitária - e, por isso, tomou a singela decisão de ali permanecer, me fazendo companhia, haja vista que o dia já estava para nascer; pródiga. Esse meu estado de completa inércia contribuiu para minha benevolência a fonte de inspiração, minha nova mulher amada, antes noite, hoje tristeza.
Devo confessar que precisava de algo para quebrar a usualidade; agora, ainda que minha falta de expectativas permanecia, o tombo foi grande, e como foi. A noite já fora, cabia a mim esperar o fim do dia para, novamente, poder me sentir, mais uma vez, escoltado, já que aquela que me trouxe inspiração, tornou-se parte de mim; é descobrir a solidão.